Mineiraço

Torcida chega a gritar 'olé' para a Alemanha após o sétimo gol

A torcida brasileira prometia dar um show no Mineirão, como fez na partida das oitavas de final diante do Chile, mas em menos de 30 minutos de jogo, quando a Alemanha já vencia o Brasil por 5 a 0, o estádio de Belo Horizonte parecia um velório. As imagens da televisão mostravam torcedores aos prantos e muita gente preferiu deixar seus lugares e ir embora.

Contra o Chile, a partida foi decidida na disputa de pênaltis e o jogo teve uma carga de emoção tão grande que alguns atletas brasileiros caíram no choro após a classificação para as quartas de final. Como a vaga foi conquistada com muito sofrimento, a sede de Belo Horizonte ficou marcada por ser considerada pé quente e por contar com torcedores que empurraram a seleção.

Ao final do primeiro tempo, as lágrimas continuaram a escorrer nos rostos dos torcedores e o público vaiou a seleção brasileira, que não imaginava uma derrota tão vergonhosa em tão pouco tempo de jogo. Dentro de campo, os jogadores eram reflexo do desânimo da massa e saíram de campo cabisbaixos, tentando entender o que estava acontecendo.

Na etapa final, Felipão promoveu algumas alterações e no início elas até deram certo. O goleiro Neuer chegou a fazer duas ótimas defesas, mas depois, quando a Alemanha fez o quinto gol, a torcida diminuiu o ímpeto. E quando o rival fez o sétimo gol, aí a decepção tomou conta de todos e os torcedores passaram a gritar "olé" para a Alemanha.

Em segundo dia de trabalho, Dirceu chega cedo e recebe advogada

Em seu segundo dia de trabalho externo após ter sido preso pela condenação no mensalão, o ex-ministro José Dirceu chegou cedo, por volta das 8h, e não recebeu visitas de amigos nem familiares –mas recebeu uma advogada que cuida de seu caso.

Ele saiu do CPP (Centro de Progressão Penitenciária), em Brasília, às 7h30 e chegou no prédio onde trabalha conduzido por um motorista em uma Hilux preta, de propriedade de sua empresa de consultoria. Cumprimentou a imprensa com um "bom dia", mas não deu declarações.

Ex-ministro da Casa Civil no governo Lula, Dirceu está trabalhando no escritório do advogado José Gerardo Grossi, de quem é amigo, com salário combinado de R$ 2.100 para ajudar a organizar documentos e livros e fazer serviços administrativos.

Pouco depois da subida de Dirceu, seu motorista fez uma quentinha de café da manhã em uma lanchonete próxima, acompanhada de suco de laranja, e levou para o escritório.

Por volta das 11h40, uma advogada do escritório que defendeu Dirceu no mensalão chegou ao local para encontrá-lo. A advogada saiu cerca de uma hora depois e confirmou que esteve com Dirceu, mas não deu detalhes. Ela disse que conversou com ele no horário de almoço, para não atrapalhar o trabalho.

Às 13h, o motorista de Dirceu subiu no prédio com uma quentinha do restaurante Capital Steakhouse.

Na quinta-feira (3) foi o primeiro dia de trabalho de Dirceu. Ele não deu declarações à imprensa na entrada e saída do escritório. Grossi afirmou que ele chegou ao trabalho "em clima de excitação". Na sexta-feira (4), Dirceu não deixou a penitenciária porque o escritório onde trabalha não tem expediente em dias de jogo do Brasil. O ex-ministro assistiu o jogo na cadeia.
Condenados do mensalão saem para trabalhar

Ex-ministro José Dirceu sai da penitenciária para o segundo dia de trabalho

HISTÓRICO

No dia 2 de junho, Dirceu foi transferido do Complexo Penitenciário da Papuda, na capital federal, para o CPP, após decisão da juíza Leila Cury, do TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios).

Dirceu estava preso na Papuda desde novembro do ano passado. O ex-ministro foi condenado a 7 anos e 11 meses pelo crime de corrupção ativa no processo do mensalão do PT, mas tem direito a cumprir a pena no regime semiaberto.

O Código Penal afirma que o semiaberto é destinado a presos não reincidentes condenados a mais de quatro anos de prisão e menos de oito anos.

O pedido de trabalho externo de Dirceu se arrasta desde o ano passado. Primeiramente ele tentou obter autorização para trabalhar num hotel de Brasília. Lá, seria gerente e receberia salário de R$ 20 mil.

Dúvidas sobre o verdadeiro proprietário do hotel surgiram após a revelação de que a empresa que comandava o estabelecimento era sediada no Panamá e tinha como presidente um auxiliar de escritório que residia num bairro pobre da cidade.

Devido a isso, Dirceu desistiu da proposta e obteve uma nova, para trabalhar no escritório de advocacia de Grossi, em Brasília.

Primeiramente, o pedido foi negado pelo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, mas depois foi autorizado pela maioria da corte.

AS REGRAS DO TRABALHO EXTERNO

Afazeres As atividades de trabalho realizadas pelo detento ficam sob responsabilidade direta do empregador. Controle de frequência Cabe ao empregador encaminhar todo mês ao presídio cópia da folha de ponto do detento. Trajeto o deslocamento entre o presídio e o local de trabalho fica a cargo do detento, que pode usar o transporte público ou veículo particular

Pode

- Deixar o local de trabalho para almoçar fora, desde que não se distancie mais de cem metros
- Sair a cada 15 dias para passar o fim de semana com familiares

Não pode

- Deixar o local de trabalho para fazer as refeições na casa de familiares
- Parar em algum outro lugar na ida ou na volta do trabalho sem autorização judicial ou do presídio

O que não está definido

As normas não dizem se o condenado pode receber parentes ou amigos no ambiente de trabalho, nem se pode fazer telefonemas.

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal afirma que exceções dependem de entendimento do juiz.

Após derrota, Dilma teme prejuízo na economia e na eleição

O vexame histórico do Brasil nesta terça-feira (8) acendeu um sinal de alerta no governo Dilma Rousseff, que teme que o mau humor decorrente da derrota para a Alemanha contamine expectativas já não muito favoráveis na economia e tenha reflexos na campanha eleitoral.

Até aqui, Dilma vinha surfando a onda de uma Copa do Mundo sem sobressaltos fora do campo, brilhante dentro dele e com o Brasil, bem ou mal, avançando. Ela atacou "pessimistas" e "urubus", colocando críticas à organização do Mundial e a baixa expectativa com o futebol da seleção no mesmo balaio.

A primeira reação pública à derrota foi da presidente, que passou o dia enfurnada no Palácio da Alvorada, em sua conta no Twitter: "Assim como todos os brasileiros, estou muito, muito triste com a derrota. Sinto imensamente por todos nós, torcedores, e pelos nossos jogadores".

 

Dilma na Copa


 

Campanha veiculada no Facebook oficial da presidente Dilma Rousseff (PT)

Depois ela pediu: "Não vamos nos deixar alquebrar. Brasil, 'levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima'".

Na segunda (7), Dilma anunciou que irá à final do Maracanã para a entrega da taça. Até a conclusão desta edição, o plano estava mantido, apesar do clima geral descrito por um integrante do governo: "Estão todos atônitos".

Apesar da solidariedade inicial, integrantes do governo já defendiam poucos minutos após o jogo uma mudança de rota na associação de sucessos no campo e fora dele. "Descolar da Copa" foi uma das expressões ouvidas no calor do impacto da derrota.

Até aqui, a avaliação do governo era que uma eventual derrota nesta terça seria assimilada como natural. A Alemanha é uma adversária poderosa, e o Brasil estava sem sua maior estrela (Neymar, machucado) e seu capitão (Thiago Silva, suspenso).

Nada, contudo, previa um 7 a 1 no Mineirão. Ao longo do jogo, o discurso de membros da cúpula do governo foi mudando da expectativa de assimilação da derrota para uma genuína preocupação com o efeito do desastre.

Num primeiro momento, além do tal descolamento, a avaliação é que o governo terá de assumir uma linha de defesa da Copa como evento.

Para tanto, serão reforçados os controle na área de segurança. Um revés na última semana do Mundial, ainda mais com a derrota do Brasil, poderia ser fatal ao promover a ideia de um fracasso duplo, esportivo e organizacional.

Além disso, há a preocupação de que voltem as críticas aos gastos feitos para a realização do Mundial, que somam R$ 26 bilhões até aqui.

ARGENTINA

Uma eventual disputa de terceiro lugar contra a Argentina, que nesta quarta (9) enfrenta a Holanda, também é vista com preocupação. Se o Brasil sofrer nova humilhação no sábado (12), o impacto da derrota poderá ser ampliado.

Até o jogo de ontem, o Planalto considerava sua parte cumprida. Como mostrou pesquisa do Datafolha na semana passada, Dilma inclusive angariou dividendos com a aprovação crescente à Copa. A presidente subiu quatro pontos nas intenções de voto, indo de 34% para 38%.

A orientação era expor ao máximo dados positivos, como aeroportos funcionando a contento e movimento de turistas. O PT assumiria a responsabilidade pelos ataques mais inflamados à oposição, na mídia e em redes sociais, aprofundando as críticas feitas por Dilma ao associar os adversários ao pessimismo. Com a derrota, contudo, o plano será reavaliado agora.

Argentina e Holanda revivem final de 1978

Era uma Copa nada engraçada. Não tinha praia, não tinha calor, não tinha frescobol. Havia uma ditadura.

O ano era 1978, a equipe anfitriã era a Argentina e a adversária era a Holanda. Trinta e seis anos depois, a Copa do Mundo retornou à América do Sul e a tabela colocou as duas seleções novamente frente a frente em um jogo decisivo.

Argentina e Holanda vão a campo a partir das 17h desta quarta (9) sob a sombra de um contexto muito especial na história do futebol.
  
Lionel Messi durante reconhecimento da seleção argentina no Itaquerão

Lionel Messi durante reconhecimento da seleção argentina no Itaquerão

Da perspectiva dos argentinos, o jogo conta com um ingrediente nacionalista como em 1978: a partida no Itaquerão acontece no dia da Independência do país, 9 de julho.

Do lado dos holandeses, um clima muito diferente do que encontraram da última vez em que pisaram na região para jogar futebol.

Se agora aproveitam o astral carioca, daquela vez tinham medo de andar pelas ruas de Buenos Aires. Boicotaram o banquete depois da final e ficaram sem suas medalhas de vice.

"Nós decidimos não ir e ficamos no hotel. Não dormimos e saímos muito cedo para o aeroporto", contou Johan Neeskens, estrela daquele time holandês, no documentário "A Dirty Game", que reconstitui a Copa de 1978.

Aquela final encerrou uma Copa polêmica, na qual não faltaram acusações de suborno para favorecer os donos da casa –

incluindo arranjar uma goleada de 6 a 0 dos argentinos sobre o Peru para tirar o Brasil da decisão.

A Holanda costuma significar momentos dramáticos para os argentinos. Mesmo naquela final de 1978, o lance mais citado entre os torcedores não é nenhum dos gols da vitória por 3 a 1 na final de 1978. E sim a bola na trave do holandês Resenbrink quando o placar era de apenas 1 a 1.

"Você sabe aqueles momentos em que seu coração para? Foi isso. Milhões de corações pararam de bater naquele momento", relembra o ponta argentino Houseman, que entrou durante o segundo tempo daquela decisão.

Era uma Holanda que ainda tinha a base do carrossel de 1974, mas sem Johan Cruyff, que se recusou a viajar para o torneio a pedido de sua mulher.

O mesmo ex-jogador que, na semana passada, causou furor ao dizer que a Argentina não sabe aproveitar os talentos que tem.

RETROSPECTO

Em 11 jogos entre as seleções, a decisão de 1978 foi a única vitória da Argentina. Os holandeses ganharam quatro vezes, duas delas em Copas.

Lembrar aquela única derrota não é a atividade favorita de nenhuma das equipes.

"Revanche será se vencermos a Copa", diz Cillessen, goleiro titular da equipe, para evitar comparações.

"O passado é o passado e serve apenas para contar histórias. Mas chegamos até aqui com apenas um pensamento: jogar no dia 13 de julho no Maracanã", disse o argentino Javier Mascherano.

No Itaquerão, a Argentina joga uma semifinal de Copa pela primeira vez em 24 anos. A última vez foi contra a Itália, então dona da casa, no Mundial de 1990, quando venceu nos pênaltis.

Já a Holanda passou a ser, desde a vitória da Costa Rica, a seleção que mais vezes chegou à semifinal da Copa sem jamais tê-la vencido.

O jogo desta quarta (9) é a quinta semifinal dos holandeses, uma a mais que o número dos suecos, agora "vices" nesse ranking particular.

Em três dessas semifinais, a Holanda venceu –sua única derrota aconteceu diante do Brasil, nos pênaltis, em 1998.

"Não há favorito", diz o técnico da Holanda, Louis van Gaal. "Temos que ter sorte: a moeda precisa cair virada para o nosso lado, como falamos na Holanda."

Quem passar vai repetir uma final de Copa: a Holanda perdeu para a Alemanha em 1974, enquanto a Argentina jogou contra os alemães em 1986 e em 1990 (ganhou uma e perdeu outra).

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