Cenipa pede imagens do acidente com avião de Eduardo Campos

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) está pedindo a todos moradores de Santos (SP), onde ocorreu o acidente que matou o ex-governador Eduardo Campos e mais seis pessoas, para que ajudem na coleta de imagens e todo tipo de dado que possa contribuir para esclarecer as causas da queda do avião há uma semana. O vídeo da câmera de um prédio em construção que registrou momentos do avião caindo, divulgado na terça-feira (19), será usado nas investigações para ajudar a montar o quebra-cabeças sobre o que aconteceu, assim como tudo que ainda possa ser encontrado e recolhido também pelos órgãos locais.

Acredita-se que existam outras imagens da passagem do avião que possam até ter resolução melhor do que a divulgada na terça-feira, que possam contribuir com as investigações. Para o Cenipa, estas imagens não serão determinantes para indicação das causas da tragédia, mas sempre ajudam e, por isso, desde o primeiro momento, ainda de acordo com a FAB, há uma campanha para que tudo que possa ser recolhido para contribuir com os esclarecimentos seja repassado.

"Esperamos que haja mais vídeos, até com melhor resolução e qualidade de imagem, além de áudios e todo tipo de dados, elementos e equipamentos ou destroços, que sempre são importantes para a investigação, mas que podem ou não ser decisivos para os esclarecimentos das causas do acidente", comentou um oficial.

A FAB evita fazer comentários sobre hipóteses, mas a imagem divulgada derruba a ideia divulgada inicialmente que o avião teria surpreendentemente passado entre dois prédios, pouco antes de cair, sem ter se chocado com eles, com o piloto evitando uma tragédia ainda maior. Pilotos ouvidos pelo jornal "O Estado de S. Paulo" lembram que tudo é muito rápido e que, em situações como aquela, o avião, quando sai da nuvem, está tão baixo e a uma velocidade tão grande que não há tempo para nada. Em uma primeira avaliação do Cenipa, já foi constatado também que o avião não se chocou com nada antes da queda. Apenas com o solo, provocando um buraco de quatro metros e deixando os destroços todos no raio deste local.

Até agora, segundo a FAB, não há nenhum dado recolhido do acidente que exija a emissão de uma recomendação antecipada com informações aos pilotos e fabricantes. Nem mesmo recomendação para que estejam atentos à questão de que os flaps do Cessna Citation 560 XL não podem ser recolhidos se o avião estiver em velocidade acima de 200 nós, ou seja, acima de 370 km/h. Flaps são como extensões das asas e que ajudam na sustentação e frenagem do avião no solo.

Não há necessidade de nova recomendação, de acordo com informações obtidas na FAB, porque esta restrição de que os flaps só podem ser recolhidos com velocidade menor que 370km/h já consta do manual do avião e já é uma regra que tem de ser observada pelos pilotos deste tipo de aeronave. O manual de instrução do avião fala na restrição porque, se os flaps forem recolhidos com o avião a mais de 370 km/h, há um "put down" (baque) violento, movimento que puxa o avião para baixo, tirando a estabilidade da aeronave a ponto de poder desorientar o piloto.

A recomendação é para que o piloto reduza a velocidade, baixando a altitude, recolha os flaps e aí retome o voo normalmente. Só que, em caso de arremetida, como aconteceu, tudo é muito rápido e outros fatores podem ter contribuído para uma desorientação do piloto e para o acidente já que nem todas as operações são feitas seguindo as regras determinadas pelas circunstâncias. E para dificultar as investigações, na definição das diferentes velocidades, o Cessna não tinha, como equipamento de série, um gravador de dados, com informações sobre altitude do avião no momento de suas operações cruciais, como pouso e decolagem e comandos efetuados pelo piloto. Também não foram gravadas as conversas mantidas pelos piloto e copiloto na cabine.

Outro dado que o Cenipa levará em consideração pelo relato de pessoas que viram o avião cair é a presença da bola de fogo na turbina. As imagens recolhidas de vídeo podem ajudar a montar o quebra-cabeças. Mas o que será determinante para dizer se houve esta explosão é a análise técnica e laboratorial das turbinas do avião ou o que restou delas. Por ali, os técnicos tentarão checar se elas falharam, qual o giro que apresentavam, se houve mudança brusca de temperatura. Estes serão considerados dados conclusivos.

Não há um prazo para a conclusão da investigação. Normalmente estas investigações são longas e os técnicos têm de ser precisos no seu trabalho e por isso não agem sob a pressão do tempo. O Cenipa ainda está em fase de reunião de dados e equipamentos que possam ajudar na investigação. Há outras fases, que passam, por exemplo, da avaliação das condições psicológicas dos pilotos nos dias que antecederam a tragédia, assim como se estavam usando algum medicamento, se enfrentavam problemas financeiros ou algo que pudesse lhes tirar a concentração no voo. Por isso, seus familiares serão ouvidos.

Todos os contatos feitos pelos pilotos durante o percurso com a torre de comando no aeroporto Santos Dumont, tráfego aéreo do Rio de Janeiro, depois de São Paulo e com o operador da estação rádio de Santos já estão preservados e serão analisados pelo Cenipa. Mas, a princípio, eles não indicam nenhuma anormalidade em relação ao voo que tenha sido relatado pelos pilotos. Nem mesmo o contato com o operador de Santos, quando o piloto informou, com tranquilidade, que estava arremetendo e que tentaria novo pouso quando o tempo, que estava ruim, melhorasse.

Estudo da Macromética diz que Marina ganharia de Dilma por 53,1% contra 46,9%, em votos válidos, uma diferença de 6,2 pontos percentuais

A Macrométrica, consultoria do ex-presidente do Banco Central, Chico Lopes, elaborou um modelo estatístico que faz projeções sobre resultados de eleições presidenciais.

O texto do economista pernambucano Maurício Romão aplica o referido modelo na eleição brasileira de 2014, já usando dados da pesquisa nacional do Datafolha dos dias 14 e 15 deste mês. As projeções apontam que, se a eleição fosse hoje,

Estudo da Macromética diz que Marina ganharia de Dilma por 53,1% contra 46,9%, em votos válidos, uma diferença de 6,2 pontos percentuais. Veja abaixo.
Projeções de resultados eleitorais

A Macrométrica, consultoria do ex-presidente do Banco Central, Chico Lopes, elaborou um modelo estatístico que faz projeções sobre resultados de eleições presidenciais.

Segundo matéria do jornal Valor Econômico, escrita por Sérgio Lamucci, em 12/08/2014, sob o título “Macrométrica projeta vitória do PSDB com modelo de estatístico americano”, para fazer projeções a consultoria: “… usou o esquema de análise de Nate Silver, o editor-chefe do site “FiveThirtyEight”. Silver ficou famoso por ter acertado o resultado de todos os 50 Estados na eleição presidencial americana de 2012, quando Barack Obama se reelegeu, ao vencer Mitt Romney”.

O título da matéria refere-se aos resultados derivados da aplicação do modelo à pesquisa do Ibope do início de agosto, ainda com o saudoso ex-governador Eduardo Campos como candidato a presidente. Observando-se a operacionalização do modelo da consultoria na atual eleição constata-se que, na verdade, não há necessidade de utilizar algo parecido com o sistema sofisticado de estatísticas que é empregado por Nate Silver, pelo menos enquanto mecanismo usado apenas em uma dada pesquisa eleitoral.

A versão da Macrométrica é bem mais simples e se utiliza de dados da própria pesquisa analisada, aventando apenas uma suposição, baseada em resultados das urnas em eleições pretéritas: a de que os votos brancos e nulos no segundo turno sejam fixados em um determinado percentual. O presente texto emprega o referido modelo, fazendo uso da pesquisa nacional do Datafolha dos dias 14 e 15 de agosto do corrente ano, em que Marina Silva figura como substituta do ex-governador.

O modelo lança mão, inicialmente, da quantidade de votos do primeiro turno que não estavam comprometidos com as duas candidaturas que foram para o segundo turno. Por exemplo, no Datafolha os resultados de intenção de votos foram os seguintes:

Primeiro turno: Dilma Rousseff 36%, Marina Silva 21%, Aécio Neves 20%, outros candidatos 6%, brancos e nulos 8% e indecisos 9%.

Segundo turno – Cenário A (Dilma X Marina): Dilma 43% e Marina 47%, votos brancos e nulos 6% e indecisos 4%.

Assim, no primeiro turno, os votos não comprometidos (VNCa) com as duas candidaturas que foram para o segundo turno somam 43% (votos de: Aécio + outros candidatos + brancos + nulos + indecisos). Note-se, ainda, que na passagem do primeiro para o segundo turno os VNCa diminuíram em 33 pontos (eram 43% e agora são 10%, adstritos a 6% de votos brancos e nulos e 4% de indecisos).

Isso significa que esses 33 pontos foram apropriados pelos dois candidatos que estão no segundo turno, Dilma e Marina. E como esses pontos foram distribuídos entre os dois disputantes? A pesquisa diz que Dilma recebe 7 pontos (passa de 36% de intenção de votos para 43% no segundo turno) e Marina fica com 26 pontos (passa de 21% para 47%).Em termos de proporção, portanto, Dilma ganha 21,2% e Marina 78,8% dos votos dos não comprometidos, os VNCa . Estas proporções são chamadas de taxas ou fatores de conversão, parâmetros-chave para as Observe-se que até aqui os dados são diretamente extraídos da pesquisa sob análise.

Suponha-se, agora, que os não comprometidos sejam da ordem de 7%, no segundo turno, um percentual que é próximo dos 6,7% que as urnas registraram de votos brancos e nulos na eleição de 2010 (nos resultados oficiais, é claro, não há indecisos). Ora, se só existem 7% de VNCa no segundo turno, então vão ser distribuídos 36 pontos entre os dois candidatos (43% menos 7%). E como será feita esta partição? Na mesma proporção anterior (a hipótese é que os fatores de conversão permanecem os mesmos): de novo Dilma fica com 21,2% e Marina com 78,8% dos VNCa.

Logo, Dilma obtém 7,6 pontos dos 36 e Marina, 28,4 pontos. Ou seja, Dilma fica com 43,6% dos votos (os 36% do primeiro turno mais 7,6 pontos a que fez jus pela taxa de conversão), e sua concorrente com 49,4%, sendo que os brancos e nulos, por construção, somam 7%. Mas como a apuração oficial do TSE é feita em votos válidos (sem os 7%), o resultado final da eleição no segundo turno, se a eleição fosse hoje, apontaria a vitória de Marina por 53,1% contra 46,9%, uma diferença de 6,2 pontos percentuais.

O raciocínio a ser empregado no cenário em que aparecem Dilma e Aécio no segundo turno é o mesmo deste em que figuram a presidente e Marina. Na hipótese de o segundo turno acontecer hoje entre eles, Aécio ficaria com 46,7% dos votos válidos e Dilma asseguraria a vitória com 53,3%.

No texto “O modelo da Macrométrica e a pesquisa Datafolha”, publicado no blog http://mauricioromao.blog.br, o presente estudo é mais aprofundado e apresentado com as principais conclusões que podem ser extraídas da aplicação do modelo em apreço.

Uma delas, a propósito, ressalta que quanto maior o total de brancos e nulos no segundo turno, dadas as taxas de conversão, mais diminui a distância entre a presidente e Marina e mais a petista se afasta de Aécio. Neste modelo, portanto, se estabelece um paradoxo: as inquietudes de junho de 2013, que ensejaram sentimentos apolíticos e antigovernos, tendo o executivo federal como alvo mais destacado, podem provocar aumentos nas taxas eleitorais de indiferença (votos em branco) e de protesto (voto nulo), beneficiado o próprio governo!

Maurício Costa Romão, Ph.D. em economia, é consultor da Contexto Estratégias Política e Institucional, e do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau.

Coligação de Armando diz que desembargador do TRE promove censura ao proibir imagens de Eduardo e usa Marina contra o PSB

Foto: Divulgação Facebook

Na manhã desta quarta-feira (20), o Blog de Jamildo revelou que o desembargador Alfredo Hermes Barbosa de Aguiar Neto, do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), acatou o pedido da família do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), morto na quarta-feira (13) em um acidente de avião que vitimou outras seis pessoas, e barrou o uso da imagem de Campos em campanhas de outros candidatos. O alvo era o PTB de Armando Monteiro Neto, que desde a semana passada já havia revelado ao Blog de Jamildo que iria prestar uma homenagem ao líder falecido de forma trágica, em São Paulo.

Nesta tarde, a coligação petebista, de oposição, divulgou uma nota oficial protestando contra a decisão, que classifica como censura. De quebra, ainda cita frase de Marina Silva que defende o uso do legado, por todos, como poderia imaginar na nova política, ironizam. No mesmo documento, o partido diz que irá recorrer da decisão. Veja abaixo a íntegra.

COLIGAÇÃO PERNAMBUCO VAI MAIS LONGE

Foi com indignação que os integrantes da Coligação Pernambuco Vai Mais Longe (PTB, PDT, PT, PSC, PRB e PTdoB) receberam a decisão monocrática, proferida por um Desembargador do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PE), de vetar a utilização de quaisquer imagens ou áudios do ex-governador Eduardo Campos.

Esta decisão, de forma insólita, tornou inválidas outras duas já tomadas. Uma de forma monocrática e outra colegiada, e que rejeitavam qualquer tentativa de censura prévia, tendo em vista que não há qualquer intenção de distorcer fatos ou desabonar a honra e a trajetória do ex-governador Eduardo Campos.

É lamentável que a propaganda eleitoral em Pernambuco seja inaugurada sob o signo da censura prévia, da afronta à liberdade de expressão, ferindo princípios basilares do Estado de Direito.

A Coligação Pernambuco Vai Mais Longe tem a certeza de que o Tribunal Regional Eleitoral, dentro de sua tradição consolidada de assegurar os princípios norteadores do regime democrático, seguramente corrigirá esse equívoco, quando do julgamento do agravo regimental, permitindo que o povo pernambucano possa livremente se manifestar, sem sofrer qualquer tipo de censura em suas convicções.

Com as iniciativas que tomou nos últimos dias, a coligação adversária tenta assegurar a apropriação meramente partidária ou de facção política de uma figura pública, cuja trajetória pertence a toda a sociedade.

É preciso que a Frente Popular aprenda com as palavras da própria Marina Silva, agora candidata à Presidência da República, que, de forma lúcida, sublinha a diferença entre legado e herança.

Afirma Marina Silva:

“Nosso esforço, de todos os brasileiros, independente de partido, é de que seu esforço, sua trajetória, sua insistência em renovar a política não seja tratada como herança, onde cada um pega um fragmento do despojo, mas que seja tratado como um legado, em que quanto mais pessoas puderem se apropriar dele, melhor fica”.

Marina é lançada candidata, dá sinais ao mercado e amplia poderes no PSB

Nos bastidores, ex-ministra do meio Ambiente garante maior influência na coordenação da campanha e na arrecadação

A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva foi oficializada nesta quarta-feira como candidata do PSB à Presidência da República. Nos bastidores, ampliou seu poder sobre a campanha - terá mais controle, por exemplo, sobre o caixa do comitê. Em público, deu sinais ao mercado a fim de afastar temores de que uma eventual vitória sua seja uma aventura, principalmente na área econômica.  
Marina defendeu o tripé econômico de metas de inflação, câmbio flutuante e responsabilidade fiscal. Segundo ela, desde 2010 essa é sua posição. Também se disse favorável à autonomia do Banco Central e lembrou que Eduardo Campos, morto na semana passada em um acidente aéreo, advogava que essa autonomia deveria ser formal. Ela disse que o tema - se a autonomia precisaria ser formal ou não - está em discussão pela equipe do programa de governo e que sua decisão virá após posicionamento dessa área. “A autonomia do BC nunca foi um problema entre nós.”

O acordo interno do PSB foi costurado numa longa reunião realizada quarta-feira na Fundação João Mangabeira, em Brasília. De um lado, os integrantes do partido. Do outro, a Rede, grupo de Marina que se alojou no PSB no fim do ano passado após a Justiça Eleitoral barrar sua existência como legenda por falta de assinaturas válidas.
Ed Ferreira/Estadão
Marina avisou que não fará eventos conjuntos com petistas e tucanos

No acerto, a coordenação financeira da campanha foi alterada. O coordenador da Rede, Bazileu Margarido, vai comandar o caixa ao lado de Dalvino Franca, do PSB. No lugar de Bazileu, que integrava a chefia executiva da campanha, assume o ex-deputado federal e porta-voz da Rede, Walter Feldman. Com isso, Marina coloca pessoas de seu grupo em áreas-chave da campanha.

Outra exigência foi sobre os palanques estaduais. Marina aceitou apenas fazer campanha para os partidos da coligação integrada por PSB, PPS, PHS, PRP e PPL. Afastou, portanto, sua presença em palanques articulados por Campos com os tucanos Geraldo Alckmin, candidato em São Paulo, e Beto Richa, candidato no Paraná. Também incluiu na lista de políticos com quem não fará campanha o tucano Paulo Bauer, candidato em Santa Catarina, e o petista Lindbergh Farias, candidato no Rio.

O objetivo de Marina é manter em pé o discurso de “nova política” que adotou desde que iniciou a tentativa de criar a Rede.

Nesses locais, o PSB poderá fazer campanha conjunta, mas sem a presença de Marina. Os candidatos a deputado, porém, poderão utilizar sua imagem e fazer campanha para ela.

O governador de Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), disse não haver desconforto no partido com essa opção. “Ela poderá não ir em um ou outro palanque, mas o partido estará presente.”

Um primeiro ato de campanha de Marina deverá ocorrer no próximo sábado no Recife, terra de Campos. O programa eleitoral de rádio e TV do PSB que vai ao ar hoje vai mostrar cenas do evento de lançamento da candidata realizado na quarta-feira à noite.

Consistência. O vice de Marina, o líder do PSB na Câmara, Beto Albuquerque, também foi confirmado no evento em Brasília, realizado na sede nacional do partido, na Asa Norte. O principal desafio da dupla agora é manter a consistência da aliança, a boa pontuação nas pesquisas - ela já aparece em segundo lugar, com cerca de 20% dos votos.

O discurso voltado ao mercado foi o primeiro passo da estratégia. Mesmo emocionada ao falar de Campos e lembrar dos dez meses que passou ao seu lado como candidata a vice, fez questão de assumir o discurso do antecessor no posto.

Repetiu, por exemplo, o mantra do ex-governador sobre a política energética do governo Dilma Rousseff. “É lamentável que o Brasil tenha, desde 2002, a ameaça do apagão. E digo lamentável, porque temos há 12 anos uma mesma pessoa à frente da política energética do nosso país, inicialmente como ministra de Minas e Energia, depois da Casa Civil e, agora, como presidente”, afirmou. “Essa política energética está custando caro ao povo brasileiro.”

Marina considerou que o uso de usinas termelétricas para compensar a baixa dos reservatórios de hidrelétricas em períodos de seca, adotado atualmente, deve ser acionado para “eventualidades extremas” e não como componente fixo do grid energético, como é feito há cerca de um ano. “Infelizmente, estamos sujando a matriz energética brasileira. Os arremedos que estão sendo feitos com as térmicas para os momentos de baixa dos reservatórios têm de ser reduzidos.”

Apesar da crítica, ela reconheceu que é difícil substituir neste momento as térmicas - que produzem uma energia suja, que polui o ar - e que, caso eleita, vai “recorrer às fontes que já existem para fazer a complementação” representada pela baixa na produção das hidrelétricas.

Como ministra do Meio Ambiente do governo Luiz Inácio Lula da Silva, Marina foi crítica também das hidrelétricas, em razão de seus impactos ambientais. Ela teve embates com Dilma, também integrante do governo, principalmente por causa da construção da usina de Belo Monte.

Código Florestal. A ex-ministra afirmou ainda que o Código Florestal, aprovado em 2012, precisa ser cumprido, a exemplo da exigência do Cadastro Ambiental Rural (CAR), porque é uma norma legal. “Infelizmente, isso não está sendo feito com a urgência e com a velocidade que precisamos”, disse. Durante a tramitação da proposta do novo Código, o grupo de Marina criticou a proposta.

Por esses e outros motivos, a principal resistência à candidatura da ex-ministra está no agronegócio.