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Em visita a Pernambuco, Dilma defende Graça Foster e justifica atrasos na transposição

Em visita ao município de Floresta, no Sertão do estado, onde acompanhou as obras de Transposição do Rio São Francisco, a presidente Dilma Rousseff (PT) defendeu o projeto, iniciado há sete anos. Durante sua passagem pela cidade, ela também saiu em defesa da presidente da Petrobras, Graça Foster, que é uma das envolvidas no escândalo da compra da refinaria de Passadena, nos Estados Unidos.

Questionada sobre o fato de Foster ter transferido os bens para os filhos, numa tentativa de evitar o bloqueio pela Justiça, Dilma ressaltou que a questão foi esclarecida pela própria Graça, em nota oficial. “Repudio completamente a tentativa de fazer com que ela (Graça) se torne uma pessoa que não possa exercer a presidência da Petrobras”, enfatizou, ressaltando que, durante os mais de dois anos em que está à frente da estatal, Foster “imprimiu uma gestão que permitiu à Agência Internacional de Energia que reconhecesse o aumento da produção de petróleo no Brasil”. Graça Foster foi indicada à presidência da estatal pela própria Dilma, em janeiro de 2012.
Sobre os atrasos na transposição, Dilma disse que “só não atrasa obra de engenharia quem não faz ou quem não tem a menor ideia do que é fazer uma obra de engenharia dessa complexidade”.  E ainda disparou para os repórteres: “Me diz uma obra dessa envergadura que foi feita por qualquer  gestão anterior?”. As obras da transposição deveriam ser concluídas em 2010, mas os prazos foram alterados e a nova expectativa é que os trabalhos sejam finalizados em dezembro de 2015.

Dilma esteve acompanhada do ex-presidente Lula. Antes, os dois visitaram o município de Cabrobó, também no Sertão do estado, e, de lá, a comitiva seguiu para a cidade de Paulo Afonso (BA), onde visitaram uma comunidade que recebeu cisternas recentemente. A presença das duas lideranças petistas no estado tem o objetivo de gravar imagens para o guia eleitoral. Ao deixar Pernambuco, a presidente segue para a cidade de Porto Alegre (RS).

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Após crise com Marina, PSB escolhe Erundina para coordenação de campanha presidencial

Eleições 2014

Deputada assume lugar de Carlos Siqueira, dirigente histórico e aliado de Campos que deixou cargo criticando candidata ao Planalto

Erundina - Felipe Rau/Estadão

BRASÍLIA
- A deputada Luiza Erundina (PSB-SP) foi designada na noite desta quinta-feira, 21, substituta do primeiro-secretário do partido, Carlos Siqueira, na coordenação da campanha à Presidência da República da ex-ministra Marina Silva. Erundina terá como coordenador-adjunto o deputado Walter Feldman (PSB-SP), escolhido pela agora candidata ao Planalto.

A escolha de Feldman por Marina motivou uma crise no PSB e a demissão de Siqueira, que acusou a candidata de querer se apropriar do partido e de não ser herdeira do legado do ex-governador Eduardo Campos, que morreu num acidente aéreo no dia 13.

A escolha de Erundina foi feita pelo presidente do PSB, Roberto Amaral, depois de consultar a deputada, em São Paulo, e falar da necessidade de ter alguém do partido na coordenação. A parlamentar chegou a ser cotada para vice na chapa de Marina - e disse que cumpriria qualquer missão -, mas o escolhido foi o líder do partido na Câmara, Beto Albuquerque (RS). Com Erundina, ex-petista como Marina e uma das parlamentares mais à esquerda do PSB, o partido tenta não perder o comando da campanha para a Rede Sustentabilidade, grupo da ex-ministra que se encontra abrigado no PSB.

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PF faz buscas da Operação Lava Jato no Rio

Na sexta fase da investigação sobre lavagem de dinheiro, policiais cumprem mandados de busca em empresas ligadas a ex-diretor da Petrobrás
 

Fábio Motta/Estadão
Mandados envolvem pessoas de empresas ligadas a Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras

 

BRASÍLIA - A Polícia Federal cumpre nesta sexta-feira, 22, 11 mandados de busca e apreensão, além de um mandado de condução coercitiva, no âmbito da Operação Lava Jato, em sua sexta fase de diligências ostensivas. Todos os mandados estão sendo cumpridos no Rio de Janeiro. Os mandados envolvem pessoas de empresas ligadas ao ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da estatal.

As medidas foram requeridas ao juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba (PR) pelos integrantes da Força Tarefa do Ministério Público Federal, em trabalho conjunto com a Polícia Federal, e abrange o núcleo de empresas vinculadas a Paulo Roberto Costa e seus familiares. A condução coercitiva é de um sócio do genro de Paulo Roberto, apurou o Estado.

A operação Lava Jato desarticulou uma quadrilha comandada por doleiros, entre eles Alberto Youssef, e o ex-diretor da Petrobrás – ambos presos durante a operação. O esquema é acusado de realizar lavagem de dinheiro e corromper serviços públicos, entre outros problemas. Os mandados que estão sendo cumpridos hoje são para apurar suspeitas de envolvimento do grupo criminoso com contratos da Petrobrás.

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Armando diz que PSB está inseguro e por isso quer proibir imagem de Eduardo

Foto: Alexandre Albuquerque/PTB

Em uma plenária ocorrida numa casa de recepções em Apipucos, na Zona Norte do Recife, o senador Armando Monteiro Neto (PTB) afirmou que os adversários do PSB estão inseguros do resultado das eleições marcadas para o dia 5 de outubro e por isso querem proibir a veiculação de imagens do ex-governador Eduardo Campos, falecido no último dia 13, no horário eleitoral petebista.

“Fizemos uma homenagem à memória do ex-governador. E eu quero dizer a vocês que nessas horas existem duas posições que são reveladoras de insegurança. A primeira é daqueles que acham que não se pode elogiar adversário, sobretudo nessas circunstâncias. Podemos sim elogiar adversários. Nessas circunstâncias. Os caminhos da política muitas vezes convergem e divergem. Isso não significa dizer que nós estamos nos afatando um milimetro das nossas crenças”, afirmou o senador.

“Mas existe uma posição que é mais reveladora de insegurança ainda. São aqueles que querem achar que o legado de um homem público é propriedade de um grupo, de uma família, ou de uma facção. O legado de um homem público é um patrimônio coletivo. É algo que pertence a todos e não pode ser apropriado por um único grupo, por um partido ou por uma facção”, completou o petebista.

Antes do acidente que o vitimou, o próprio Eduardo Campos havia pedido que Armando não usasse sua imagem no guia. Após a morte, a família entrou na Justiça Eleitoral para proibir o uso. O petebista chegou a levar imagens ao lado do ex-governador para o guia, mas teve que alterar. A última decisão dada pelo Pleno do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) autorizou o uso das imagens.

O ato ocorrido na noite dessa quinta-feira (21) foi marcado por diversas críticas ao PSB. Num dado momento, Armando fez referência a denúncia do deputado federal José Augusto Maia (PROS) de que teria recebido proposta de propina para que o partido apoiasse o ex-secretário da Fazenda Paulo Câmara (PSB). “Tiraram partidos que já haviam fechado com a nossa coligação a peso de ouro. E vocês sabem do que é que eu estou falando”, disse o senador.

ALIADOS – As críticas de Armando também foram endossadas por outras lideranças da coligação. Candidato a vice, o deputado federal Paulo Rubem (PDT) disse que os pernambucanos não podem levar para casa um filme chamado O Ilusionista, em referência ao voto em Câmara.

“Nós não estamos escolhendo aqui mudar o dono de uma capitania hereditária. Nós não estamos escolhendo aqui mudar de pai para filho um latifúndio. Nós estamos escolhendo aqui quem vai ser o futuro de Pernambuco”, subiu o tom.

Já o senador Humberto Costa (PT) atacou duramente a ex-senadora Marina Silva, que assume a campanha presidencial do PSB após a morte de Eduardo.

“Os nossos adversários vêm agora com essa conversa mole de que Marina é o nome para mudar, é o nome para transformar. Eu conheço. Ali representa o autoritarismo. Ali representa uma visão atrasada. Ali representa uma visão que não quer progresso, nem desenvolvimento”, disse.

A presidente do PT em Pernambuco, a deputada estadual Teresa Leitão, denunciou uma reunião que teria sido convocada pela coligação adversária para que as primeiras-damas dissessem nas cidades que o programa Minha Casa, Minha Vida não é uma ação do governo federal. Ela também disparou contra Paulo Câmara.

“O nosso adversário. Tiraram até o nome dele. O rapaz não tem mais nome. É Paulo 40. O que é isso, minha gente? Como é que a gente pode chamar desse jeito alguém que se predispõe a ser governador do Estado”, afirmou.

Jamildo

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Polícia Federal apura fraude em compra de jato que levava Eduardo Campos

Foto: AFP

A Polícia Federal investiga três empresários de Pernambuco suspeitos de terem participado da compra irregular do jato Cessna Citation 560 XL, prefixo PR-AFA, que caiu em Santos na semana passada, matando o candidato à Presidência do PSB, Eduardo Campos, e outras seis pessoas.

Os empresários João Carlos Lyra Pessoa Monteiro de Mello Filho, Apolo Santana Vieira e Eduardo Freire Bezerra Leite teriam adquirido a aeronave, mas a Agência Nacional de Aviação Civil desconhecia o negócio. Oficialmente, ela pertence à AF Andrade, empresa de Ribeirão Preto, que está em recuperação judicial. Pela lei, o Cessna usado por Campos não poderia ser vendido sem autorização judicial. Só agora, após o acidente, a AF Andrade informou a Anac da compra.

Leia também: Em Pernambuco, empresa de importação de Pneus diz que ia comprar avião da Cessna, mas cadastro nao foi aprovado

João Carlos é usineiro, dono da factoring JCL Fomento Mercantil. e era próximo de Campos. Apolo é dono de uma importadora de pneus, a Alpha Trading Comércio, Importação e Exportação Ltda, conhecida como Alpha Pneus, e da D’Marcas Comércio Ltda. O empresário foi alvo de denúncia do Ministério Público Federal em 2009 por um esquema de sonegação que teria provocado um prejuízo de R$ 100 milhões à Receita.

O terceiro empresário investigado é conhecido como Eduardo Ventola, Dono da Cerâmica Câmboa e de uma construtora.

Documento da AF Andrade enviado à Anac informa que a Bandeirantes Cia. de Pneus S.A. e a BR Par Participações assumiram os custos do leasing de compra da aeronave. A Bandeirantes Pneus diz ter se interessado no jato, mas a compra não ocorreu porque a Cessna Finance Export Corp não aprovou a tempo o negócio. João Carlos Lyra, Apolo e Eduardo não foram localizados.

Estadão

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Cenipa pede imagens do acidente com avião de Eduardo Campos

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) está pedindo a todos moradores de Santos (SP), onde ocorreu o acidente que matou o ex-governador Eduardo Campos e mais seis pessoas, para que ajudem na coleta de imagens e todo tipo de dado que possa contribuir para esclarecer as causas da queda do avião há uma semana. O vídeo da câmera de um prédio em construção que registrou momentos do avião caindo, divulgado na terça-feira (19), será usado nas investigações para ajudar a montar o quebra-cabeças sobre o que aconteceu, assim como tudo que ainda possa ser encontrado e recolhido também pelos órgãos locais.

Acredita-se que existam outras imagens da passagem do avião que possam até ter resolução melhor do que a divulgada na terça-feira, que possam contribuir com as investigações. Para o Cenipa, estas imagens não serão determinantes para indicação das causas da tragédia, mas sempre ajudam e, por isso, desde o primeiro momento, ainda de acordo com a FAB, há uma campanha para que tudo que possa ser recolhido para contribuir com os esclarecimentos seja repassado.

"Esperamos que haja mais vídeos, até com melhor resolução e qualidade de imagem, além de áudios e todo tipo de dados, elementos e equipamentos ou destroços, que sempre são importantes para a investigação, mas que podem ou não ser decisivos para os esclarecimentos das causas do acidente", comentou um oficial.

A FAB evita fazer comentários sobre hipóteses, mas a imagem divulgada derruba a ideia divulgada inicialmente que o avião teria surpreendentemente passado entre dois prédios, pouco antes de cair, sem ter se chocado com eles, com o piloto evitando uma tragédia ainda maior. Pilotos ouvidos pelo jornal "O Estado de S. Paulo" lembram que tudo é muito rápido e que, em situações como aquela, o avião, quando sai da nuvem, está tão baixo e a uma velocidade tão grande que não há tempo para nada. Em uma primeira avaliação do Cenipa, já foi constatado também que o avião não se chocou com nada antes da queda. Apenas com o solo, provocando um buraco de quatro metros e deixando os destroços todos no raio deste local.

Até agora, segundo a FAB, não há nenhum dado recolhido do acidente que exija a emissão de uma recomendação antecipada com informações aos pilotos e fabricantes. Nem mesmo recomendação para que estejam atentos à questão de que os flaps do Cessna Citation 560 XL não podem ser recolhidos se o avião estiver em velocidade acima de 200 nós, ou seja, acima de 370 km/h. Flaps são como extensões das asas e que ajudam na sustentação e frenagem do avião no solo.

Não há necessidade de nova recomendação, de acordo com informações obtidas na FAB, porque esta restrição de que os flaps só podem ser recolhidos com velocidade menor que 370km/h já consta do manual do avião e já é uma regra que tem de ser observada pelos pilotos deste tipo de aeronave. O manual de instrução do avião fala na restrição porque, se os flaps forem recolhidos com o avião a mais de 370 km/h, há um "put down" (baque) violento, movimento que puxa o avião para baixo, tirando a estabilidade da aeronave a ponto de poder desorientar o piloto.

A recomendação é para que o piloto reduza a velocidade, baixando a altitude, recolha os flaps e aí retome o voo normalmente. Só que, em caso de arremetida, como aconteceu, tudo é muito rápido e outros fatores podem ter contribuído para uma desorientação do piloto e para o acidente já que nem todas as operações são feitas seguindo as regras determinadas pelas circunstâncias. E para dificultar as investigações, na definição das diferentes velocidades, o Cessna não tinha, como equipamento de série, um gravador de dados, com informações sobre altitude do avião no momento de suas operações cruciais, como pouso e decolagem e comandos efetuados pelo piloto. Também não foram gravadas as conversas mantidas pelos piloto e copiloto na cabine.

Outro dado que o Cenipa levará em consideração pelo relato de pessoas que viram o avião cair é a presença da bola de fogo na turbina. As imagens recolhidas de vídeo podem ajudar a montar o quebra-cabeças. Mas o que será determinante para dizer se houve esta explosão é a análise técnica e laboratorial das turbinas do avião ou o que restou delas. Por ali, os técnicos tentarão checar se elas falharam, qual o giro que apresentavam, se houve mudança brusca de temperatura. Estes serão considerados dados conclusivos.

Não há um prazo para a conclusão da investigação. Normalmente estas investigações são longas e os técnicos têm de ser precisos no seu trabalho e por isso não agem sob a pressão do tempo. O Cenipa ainda está em fase de reunião de dados e equipamentos que possam ajudar na investigação. Há outras fases, que passam, por exemplo, da avaliação das condições psicológicas dos pilotos nos dias que antecederam a tragédia, assim como se estavam usando algum medicamento, se enfrentavam problemas financeiros ou algo que pudesse lhes tirar a concentração no voo. Por isso, seus familiares serão ouvidos.

Todos os contatos feitos pelos pilotos durante o percurso com a torre de comando no aeroporto Santos Dumont, tráfego aéreo do Rio de Janeiro, depois de São Paulo e com o operador da estação rádio de Santos já estão preservados e serão analisados pelo Cenipa. Mas, a princípio, eles não indicam nenhuma anormalidade em relação ao voo que tenha sido relatado pelos pilotos. Nem mesmo o contato com o operador de Santos, quando o piloto informou, com tranquilidade, que estava arremetendo e que tentaria novo pouso quando o tempo, que estava ruim, melhorasse.

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Estudo da Macromética diz que Marina ganharia de Dilma por 53,1% contra 46,9%, em votos válidos, uma diferença de 6,2 pontos percentuais

A Macrométrica, consultoria do ex-presidente do Banco Central, Chico Lopes, elaborou um modelo estatístico que faz projeções sobre resultados de eleições presidenciais.

O texto do economista pernambucano Maurício Romão aplica o referido modelo na eleição brasileira de 2014, já usando dados da pesquisa nacional do Datafolha dos dias 14 e 15 deste mês. As projeções apontam que, se a eleição fosse hoje,

Estudo da Macromética diz que Marina ganharia de Dilma por 53,1% contra 46,9%, em votos válidos, uma diferença de 6,2 pontos percentuais. Veja abaixo.
Projeções de resultados eleitorais

A Macrométrica, consultoria do ex-presidente do Banco Central, Chico Lopes, elaborou um modelo estatístico que faz projeções sobre resultados de eleições presidenciais.

Segundo matéria do jornal Valor Econômico, escrita por Sérgio Lamucci, em 12/08/2014, sob o título “Macrométrica projeta vitória do PSDB com modelo de estatístico americano”, para fazer projeções a consultoria: “… usou o esquema de análise de Nate Silver, o editor-chefe do site “FiveThirtyEight”. Silver ficou famoso por ter acertado o resultado de todos os 50 Estados na eleição presidencial americana de 2012, quando Barack Obama se reelegeu, ao vencer Mitt Romney”.

O título da matéria refere-se aos resultados derivados da aplicação do modelo à pesquisa do Ibope do início de agosto, ainda com o saudoso ex-governador Eduardo Campos como candidato a presidente. Observando-se a operacionalização do modelo da consultoria na atual eleição constata-se que, na verdade, não há necessidade de utilizar algo parecido com o sistema sofisticado de estatísticas que é empregado por Nate Silver, pelo menos enquanto mecanismo usado apenas em uma dada pesquisa eleitoral.

A versão da Macrométrica é bem mais simples e se utiliza de dados da própria pesquisa analisada, aventando apenas uma suposição, baseada em resultados das urnas em eleições pretéritas: a de que os votos brancos e nulos no segundo turno sejam fixados em um determinado percentual. O presente texto emprega o referido modelo, fazendo uso da pesquisa nacional do Datafolha dos dias 14 e 15 de agosto do corrente ano, em que Marina Silva figura como substituta do ex-governador.

O modelo lança mão, inicialmente, da quantidade de votos do primeiro turno que não estavam comprometidos com as duas candidaturas que foram para o segundo turno. Por exemplo, no Datafolha os resultados de intenção de votos foram os seguintes:

Primeiro turno: Dilma Rousseff 36%, Marina Silva 21%, Aécio Neves 20%, outros candidatos 6%, brancos e nulos 8% e indecisos 9%.

Segundo turno – Cenário A (Dilma X Marina): Dilma 43% e Marina 47%, votos brancos e nulos 6% e indecisos 4%.

Assim, no primeiro turno, os votos não comprometidos (VNCa) com as duas candidaturas que foram para o segundo turno somam 43% (votos de: Aécio + outros candidatos + brancos + nulos + indecisos). Note-se, ainda, que na passagem do primeiro para o segundo turno os VNCa diminuíram em 33 pontos (eram 43% e agora são 10%, adstritos a 6% de votos brancos e nulos e 4% de indecisos).

Isso significa que esses 33 pontos foram apropriados pelos dois candidatos que estão no segundo turno, Dilma e Marina. E como esses pontos foram distribuídos entre os dois disputantes? A pesquisa diz que Dilma recebe 7 pontos (passa de 36% de intenção de votos para 43% no segundo turno) e Marina fica com 26 pontos (passa de 21% para 47%).Em termos de proporção, portanto, Dilma ganha 21,2% e Marina 78,8% dos votos dos não comprometidos, os VNCa . Estas proporções são chamadas de taxas ou fatores de conversão, parâmetros-chave para as Observe-se que até aqui os dados são diretamente extraídos da pesquisa sob análise.

Suponha-se, agora, que os não comprometidos sejam da ordem de 7%, no segundo turno, um percentual que é próximo dos 6,7% que as urnas registraram de votos brancos e nulos na eleição de 2010 (nos resultados oficiais, é claro, não há indecisos). Ora, se só existem 7% de VNCa no segundo turno, então vão ser distribuídos 36 pontos entre os dois candidatos (43% menos 7%). E como será feita esta partição? Na mesma proporção anterior (a hipótese é que os fatores de conversão permanecem os mesmos): de novo Dilma fica com 21,2% e Marina com 78,8% dos VNCa.

Logo, Dilma obtém 7,6 pontos dos 36 e Marina, 28,4 pontos. Ou seja, Dilma fica com 43,6% dos votos (os 36% do primeiro turno mais 7,6 pontos a que fez jus pela taxa de conversão), e sua concorrente com 49,4%, sendo que os brancos e nulos, por construção, somam 7%. Mas como a apuração oficial do TSE é feita em votos válidos (sem os 7%), o resultado final da eleição no segundo turno, se a eleição fosse hoje, apontaria a vitória de Marina por 53,1% contra 46,9%, uma diferença de 6,2 pontos percentuais.

O raciocínio a ser empregado no cenário em que aparecem Dilma e Aécio no segundo turno é o mesmo deste em que figuram a presidente e Marina. Na hipótese de o segundo turno acontecer hoje entre eles, Aécio ficaria com 46,7% dos votos válidos e Dilma asseguraria a vitória com 53,3%.

No texto “O modelo da Macrométrica e a pesquisa Datafolha”, publicado no blog http://mauricioromao.blog.br, o presente estudo é mais aprofundado e apresentado com as principais conclusões que podem ser extraídas da aplicação do modelo em apreço.

Uma delas, a propósito, ressalta que quanto maior o total de brancos e nulos no segundo turno, dadas as taxas de conversão, mais diminui a distância entre a presidente e Marina e mais a petista se afasta de Aécio. Neste modelo, portanto, se estabelece um paradoxo: as inquietudes de junho de 2013, que ensejaram sentimentos apolíticos e antigovernos, tendo o executivo federal como alvo mais destacado, podem provocar aumentos nas taxas eleitorais de indiferença (votos em branco) e de protesto (voto nulo), beneficiado o próprio governo!

Maurício Costa Romão, Ph.D. em economia, é consultor da Contexto Estratégias Política e Institucional, e do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau.

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Coligação de Armando diz que desembargador do TRE promove censura ao proibir imagens de Eduardo e usa Marina contra o PSB

Foto: Divulgação Facebook

Na manhã desta quarta-feira (20), o Blog de Jamildo revelou que o desembargador Alfredo Hermes Barbosa de Aguiar Neto, do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), acatou o pedido da família do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), morto na quarta-feira (13) em um acidente de avião que vitimou outras seis pessoas, e barrou o uso da imagem de Campos em campanhas de outros candidatos. O alvo era o PTB de Armando Monteiro Neto, que desde a semana passada já havia revelado ao Blog de Jamildo que iria prestar uma homenagem ao líder falecido de forma trágica, em São Paulo.

Nesta tarde, a coligação petebista, de oposição, divulgou uma nota oficial protestando contra a decisão, que classifica como censura. De quebra, ainda cita frase de Marina Silva que defende o uso do legado, por todos, como poderia imaginar na nova política, ironizam. No mesmo documento, o partido diz que irá recorrer da decisão. Veja abaixo a íntegra.

COLIGAÇÃO PERNAMBUCO VAI MAIS LONGE

Foi com indignação que os integrantes da Coligação Pernambuco Vai Mais Longe (PTB, PDT, PT, PSC, PRB e PTdoB) receberam a decisão monocrática, proferida por um Desembargador do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PE), de vetar a utilização de quaisquer imagens ou áudios do ex-governador Eduardo Campos.

Esta decisão, de forma insólita, tornou inválidas outras duas já tomadas. Uma de forma monocrática e outra colegiada, e que rejeitavam qualquer tentativa de censura prévia, tendo em vista que não há qualquer intenção de distorcer fatos ou desabonar a honra e a trajetória do ex-governador Eduardo Campos.

É lamentável que a propaganda eleitoral em Pernambuco seja inaugurada sob o signo da censura prévia, da afronta à liberdade de expressão, ferindo princípios basilares do Estado de Direito.

A Coligação Pernambuco Vai Mais Longe tem a certeza de que o Tribunal Regional Eleitoral, dentro de sua tradição consolidada de assegurar os princípios norteadores do regime democrático, seguramente corrigirá esse equívoco, quando do julgamento do agravo regimental, permitindo que o povo pernambucano possa livremente se manifestar, sem sofrer qualquer tipo de censura em suas convicções.

Com as iniciativas que tomou nos últimos dias, a coligação adversária tenta assegurar a apropriação meramente partidária ou de facção política de uma figura pública, cuja trajetória pertence a toda a sociedade.

É preciso que a Frente Popular aprenda com as palavras da própria Marina Silva, agora candidata à Presidência da República, que, de forma lúcida, sublinha a diferença entre legado e herança.

Afirma Marina Silva:

“Nosso esforço, de todos os brasileiros, independente de partido, é de que seu esforço, sua trajetória, sua insistência em renovar a política não seja tratada como herança, onde cada um pega um fragmento do despojo, mas que seja tratado como um legado, em que quanto mais pessoas puderem se apropriar dele, melhor fica”.